Mentes fechadas me preocupam

Como já foi explicado em postagens anteriores, eu sou um entusiasta em jogos estudando tal tema. Atualmente cursando uma pós-graduação a distancia de Jogos Digitais.
As vantagens de fazer uma Pós-graduação a distância é a versatilidade de horários em que podemos estudar, temos que ler conteúdos indicados, verificar materiais complementares e as web-aulas servem para compilar essas informações, outra vantagem é o networking que você faz, pessoas interessadas em jogos que podem compartilhar suas experiências, conhecimentos, informações sobre cursos, palestras, jams… e infelizmente no meio desse networking vemos atitudes e posicionamentos de pessoas que nos fazem pensar em como as pessoas misturam preconceito com opinião, ou pior, ódio por partido politico que não está no assunto.
Contextualizando melhor, algumas das atividades da pós trouxeram como pauta questões de gênero, muito em pauta no mercado de jogos digitais hoje em dia, como representação de personagens femininas em jogos e as dificuldades que mulheres tem em empreender comparado a homens. Até ai são questões comuns que esperamos que estudantes de pós-graduação possam responder, opinar e dialogar de forma coerente e construtiva… porém não é isso que vemos sempre, como posso mostrar pelas imagens abaixo:

 

Felizmente não meu caro amigo, uma pós-graduação deve sim estimular seus alunos a pensar e dialogar sobre gênero, principalmente em um curso de jogos digitais, que ao contrário do que muitos pensam, não é um curso que te ensina a programar e usar engine, mas sim um curso focado em bases de game design e produção de jogos, gerenciar equipes e analisar o mercado (e isso fica pra um próximo texto). Sendo assim, falar sobre gênero, sexualidade e preconceito em jogos é fundamental. É por pensamentos fechados assim, de que tais tópicos não devem ser discutidos junto a jogos, que vemos o rebuliço que houve em diversos grupos de jogos digitais sobre uma pesquisa que a apontava que as mulheres são o maior publico ativo de jogos no brasil, muitos jovens tentavam desviar do assunto ou tentava diminuir a credibilidade da matéria com comentários de que “as mulheres são 52% porque jogam no celular e facebook, isso nem é jogo, quero ver nos consoles e pc…”. Bom pra começo de conversa, não importa a plataforma, jogo é jogo e as mulheres não se expõem nos consoles e PC’s exatamente por muitos jogadores as diminuirem apenas por serem mulheres. Eu fico incrédulo, as pessoas deviam ver isso como algo bom, o mercado de games mobile e de redes social no brasil é grande e a informação de que o publico feminino é o maior no brasil te dá um nicho onde podemos explorar… mas não, o “pobre garoto” não quer que toquem no seu hobby.

Esse comentário então… o nosso país leva tudo pro lado do futebol, tudo vira uma grande disputa de times, “ou você concorda comigo, ou está errado”…

Esse aluno é um cara com seus quase 40 anos, pela frase, podemos dizer que ele deve ser partidário ao pensamento politico de Direita, além de tudo que foi dito anteriormente sobre a discussão de gênero, esse aluno tenta diminuir o discurso dizendo que  “preocupação excessiva de genero é coisa do PSOL” (partido de esquerda).

Primeiramente que isso não mostra nada relevante, apenas que quem o disse não consegue pensar sobre o assunto e tenta jogar para o âmbito politico para menosprezar o discurso colocando ele como algo de esquerda, muitas coisas as pessoas dizem que é de esquerda, mas na verdade são assuntos básicos que elas não querem discutir pois tem mente fechada.

“Segundamente” o que raios a atividade de um curso tem a ver com partidos políticos?

 

Esse ai, não sei por onde começar…

Sobre as dificuldades de empreender no país, concordo que  o Brasil sim tem muita burocracia, problemas de logística e produtividade, nesses argumentos tem meu ponto, mas aparentemente essa pessoa nunca precisou trabalhar, nunca ficou doente durante o expediente, para dizer que o brasileiro é cheio de direitos e colocar isso como empecilho. Eu duvido que (caso ele trabalhe) se negue a receber o décimo terceiro salário, principalmente na situação econômica do país, duvido muito que faça hora extra de graça, inclusive aos finais de semana, e caso necessite por motivos de saúde não pegue um atestado para poder se recuperar em casa.

Não nego que há muitas pessoas que se aproveitam de atestados e de alguns benefícios e que isso para um micro ou pequeno empreendedor seja um tanto trabalhoso,  dizer que o trabalhador tem muitos benéficos e menosprezar quem entrega um atestado comparando a uma torção de unha é muito mesquinho.

Que bom que (ainda) temos benefícios, nosso país paga pouco e cobra muito, muitas pessoas usam o décimo terceiro e as horas extras para não se endividar. Para alguém novo no mercado com poucos recursos isso realmente é financeiramente complicado, mas se você pretende crescer seu empreendimento, é necessário estar regularizado, uma coisa que aprendi no curso de administração é que uma empresa não lida apenas com dinheiro, mas com pessoas que precisam ser recompensadas e motivadas a continuar trabalhando com você.

Sei que meu posicionamento possa ter aparentado ser “superior” ou “julgando” o perfil de alguns dos alunos mostrados, se passei essa impressão, peço minhas sinceras desculpas.

Escrevi esse desabafo, pois acredito que pensamentos assim possam refletir no mercado de jogos. Pessoas de mente fechada querendo produzir jogos para outras pessoas de mente fechada, evitando analisar o todo, evitando o diálogo e menosprezando minorias e pessoas de pensamento diferente.

Jogos Digitais divertem, relaxam, mas também podem ensinar, podem criar experiências, me preocupo com quais experiencias e ensinamentos algumas pessoas poderão criar, passar adiante pensamentos que se vêem como a verdade absoluta e estimular uma geração que ao invés de dialogar e respeitar as diferenças, se acharam os donos da razão.

 

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Formado em Administração de Empresas, atualmente cursando pós-graduação em jogos digitais, geek, casual gamer, leitor de livros e graphic novels, entusiasta de novas tecnologias de interação e cultivador de projetos inacabados

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Alado (Camargo)

Formado em Administração de Empresas, atualmente cursando pós-graduação em jogos digitais, geek, casual gamer, leitor de livros e graphic novels, entusiasta de novas tecnologias de interação e cultivador de projetos inacabados

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